DESA.ADO
A história de um lápis sem ponta
8 de dezembro de 2011
10 de novembro de 2011
Eu me basto!

Eu gosto bastante do DESA . ADO. Aqui é um dos lugares mais expostos que possa existir e, ainda assim, ninguém me vê. Aqui posso gritar, correr, amar, chorar, morrer ... aqui posso VIVER!
Uma vez me questionaram o porquê desse DESA . ADO: a história de um lápis sem ponta. Este nome surgiu logo no final de 2008, quando eu deixei de ser aquilo que eu não era. Quem me perguntou sobre isso – uma grande conhecedora da alma humana – achou que eu estava com depressão. Engraçado que as pessoas se prendem a um único aspecto na hora de julgar algo. Apesar de ela ter visto também “a história de um lápis sem ponta”, ela ficou preso ao nome principal deste meu mundo exposto-escondido. E é justamente o contrário de depressivo o estado que eu estava e estou. Creio que desde aquele final de 2008, mesmo em meio as tristezas, eu nunca fui tão feliz! Mesmo desapontado, eu sou um lápis que ainda conta histórias. E não me importa que eu conte para mim mesmo apenas. Eu me basto! Quem melhor para entender o que eu digo que eu mesmo? Se eu falo em voz alta comigo mesmo, por que não posso escrever para mim mesmo? Por que não posso contar minhas histórias a mim mesmo? Fazendo isso, posso manter o silêncio que tanto gosto e ficar só mas acompanhado de mim. Eu me basto!
Mas há, nas pessoas de um modo geral, um grande preconceito com a solidão e o silêncio: elas acham que isto é sinal de tristeza, depressão, vida amargurada. Au contraire (sempre quis escrever isso): em mim, tudo isso é a mais perfeita alegria. Quieto e só é o meu desejo de vida. Não quero muito além disso. Vivendo assim, poderei viver comigo mesmo, afinal, eu me basto!
Nada melhor que estar só para que realmente alguém realmente demonstre como se é. Sozinhos não temos vergonha de ser o que somos e nem precisamos esconder o que somos. Em grupo, todos nos cobram e temos que manter o padrão. Feliz sou eu que, aqui, sou só. E mesmo em meio aos meu gritos de triste alegria, ninguém me ouve. Assim, ninguém me critica e acha que sou um ser depressivo. Depressão é para os fracos. Eu me basto!
E, para ser sincero, não vejo a hora de tudo isso acabar para eu viver de fato com tudo aquilo que está dentro de mim. Eu me basto porque o que há dentro de mim é Infinito e Eterno. Com isso, para que precisar dos outros? Para que querer ter os outros? Será muito melhor quando eu realmente não tiver nada e nem ninguém para que assim eu possua tudo e a todos. Isso não é pretensão meramente utópica, au contraire, é realidade que logo se fará presente.
Desejo aquela realidade que hoje sonho de abraçar o Infinito e de ser consumido pelo Eterno. Nada além disso para mim tem valor. Aquilo que termina e que acaba eu não quero ter. Fui feito para algo maior. Fui feito para ser o Infinito. Fui feito para ter o Eterno. O lápis que sou hoje é apenas um curto espaço no tempo e um curto pedaço no espaço para que fiquem prontos a Infinitude e a Eternidade. Nada tenho. Nada sou. Mas tudo terei e tudo serei. Sem, contudo, deixar de ser um desapontado. O que importe é que continuo escrevendo. Nem tudo o que é ruim é mal. Assim como nem todo bem é bom. Eu não me prendo a este preconceito com a realidade. Deixe as coisas acontecerem. Deixo as coisas acontecerem. Me amo e amo-me. Quem se importa com a gramática quando eu me basto? Eu não preciso de muito para ser feliz. Só preciso do Infinito e do Eterno. Isso eu já tenho, por isso eu me basto. Mas, ainda assim, preciso mais ainda destes dois. Afinal, sendo infinito, há sempre mais para eu buscar e sendo eterno, eu sempre irei buscar. Eu me basto mas eu preciso de mim! Eu preciso continuar escrevendo a história. Quem precisa de ponta para isso se eu me basto?